
Presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Novilho Precoce, Rafael Gratão
Franquear um modelo de negócio da pecuária significa replicar uma trajetória de 27 anos, permitindo que produtores de outros estados comecem suas operações em um estágio mais maduro e eficiente. A análise é do presidente da Novilho Precoce, Rafael Gratão, ao justificar o plano de expansão da associação e da cooperativa NovilhoCoop.
Neste ano, a entidade já movimentou R$ 23 milhões por meio de grupos de compra coletiva de insumos, o que reduziu custos e fortaleceu o planejamento dos pecuaristas associados. O anúncio da expansão ocorreu no último sábado (22), durante um evento da instituição.
Gratão aponta que o objetivo é avançar com as iniciativas cooperativistas pelo país em 2026. “A Novilho Precoce é prova viva disso. Construímos um modelo sólido de união entre produtores. Um modelo que se consolidou não só por organizar processos, mas por fortalecer pessoas, alinhar propósitos e transformar desafios individuais em resultados coletivos”, destaca.
O estado de Tocantins foi o primeiro a replicar o modelo de produção sustentável consolidado em Mato Grosso do Sul. A Associação também recebeu visitas de produtores do Rio Grande do Sul e de Goiás, interessados no sistema que bonifica o pecuarista, diminui despesas e acessa mercados consumidores diferenciados.
Para o gestor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o formato de trabalho da associação é promissor. “Nos últimos 10 anos, retiramos em Mato Grosso do Sul 5 milhões de hectares de pastagens para outras culturas. Houve manutenção do rebanho e redução da idade média de abate em mais de 17 meses, demonstrando que a pecuária sul-mato-grossense é modelo”, disse.
Segundo Lucas Galvan, superintendente do Senar/MS, a entidade contribui para a evolução do setor. “O que a Novilho faz é colocar esse ritmo de precocidade nos nossos animais, incorporando inovação e posicionando a pecuária de Mato Grosso do Sul nos mercados mundiais. São iniciativas que fazem da nossa pecuária uma atividade de vanguarda”, comenta.
Os dados apresentados no evento mostram a expansão contínua da associação. A média mensal de abates evoluiu de 17.797 animais em 2023 para uma projeção de 19.014 cabeças por mês em 2025, o que pode totalizar 228.175 animais no acumulado anual. O número de associados ativos também aumentou cerca de 30% em 2024.
O superintendente da Novilho Precoce, Alexandre Guimarães, explica o propósito da expansão. “A franquia não é um negócio comercial. É uma ferramenta de expansão do cooperativismo e do associativismo. É a forma estruturada de levar a outros estados aquilo que aprendemos, acertamos, erramos e aprimoramos em quase três décadas”, finaliza.
O evento da Associação contou com palestras do especialista em marketing no agronegócio, José Luiz Tejon, e do professor de filosofia, Guilherme Freire.