Fim da tarifa de 40%: O que muda para o agronegócio brasileiro?
Publicado em 21/11/2025 00h35

Fim da tarifa de 40%: O que muda para o agronegócio brasileiro?

O governo dos EUA anunciou a retirada da tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como café e carne, após negociações entre os dois países.
Por: Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (20) a remoção da tarifa de importação de 40% que era aplicada a uma série de produtos brasileiros. A lista divulgada pela Casa Branca inclui café, chá, frutas tropicais, sucos, cacau, especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

A medida representa uma revisão da Ordem Executiva 14323, de 30 de julho de 2025. Naquela data, Washington havia declarado emergência nacional, considerando que ações do governo brasileiro representavam “uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.

A Casa Branca comunicou que a reversão parcial foi determinada após o início de negociações em 6 de outubro de 2025, durante uma conversa telefônica entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo americano informou que, “após considerar as informações e recomendações (…) e o andamento das negociações com o Governo do Brasil”, certos produtos agrícolas não estarão mais sujeitos à alíquota adicional.

Alívio para o setor cafeeiro

A decisão foi recebida com alívio pelo setor cafeeiro. Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), comemorou a medida. “Para a nossa alegria, a alegria de todos os brasileiros, inclusive, o governo americano finalmente retira a tarifa de 40% sobre o café verde”, afirmou, destacando que a sobretaxa colocava o país “em condição extremamente desvantajosa”.

Os Estados Unidos representam um mercado de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões anuais em exportações de café verde para o Brasil. Ferreira relatou que, nos últimos três meses, a queda nas vendas para o mercado norte-americano atingiu 50%, com risco de uma retração total de 80%.

Segundo ele, isso significaria “uma queda na balança comercial da ordem de aproximadamente dois bilhões de dólares somente para os Estados Unidos”. O dirigente também mencionou pressões internacionais sobre os preços do café brasileiro, estimando um prejuízo adicional de até US$ 1 bilhão em 12 meses. “Estamos falando já de alguma coisa da ordem de 3 bilhões de dólares de queda na balança comercial no espaço de um ano”, afirmou.

Apesar da notícia positiva, um desafio permanece. Ferreira acrescentou que o café solúvel, que representa 10% das exportações brasileiras do grão para os Estados Unidos, não foi incluído na revisão. O segmento de solúvel continua tarifado, e o tema ainda necessita de negociação entre os dois governos.