
A inteligência artificial avança no campo brasileiro e já apresenta resultados concretos na otimização de diferentes culturas. Ferramentas baseadas em IA estão sendo aplicadas para aumentar a eficiência, reduzir custos e melhorar a qualidade da produção agrícola nacional.
No controle de pragas, armadilhas inteligentes com sensores e câmeras são usadas em mais de 50 mil hectares de soja no Mato Grosso e na Bahia. Os dispositivos coletam dados sobre o tipo e a quantidade de insetos, permitindo que o sistema identifique padrões de infestação e indique o momento ideal para a aplicação de defensivos.
Essa tecnologia já permitiu uma redução de mais de 20% no uso de inseticidas contra a lagarta Spodoptera sp., que afeta as lavouras de soja.
Para a previsão de safra no Sul do país, modelos de IA, como as redes neurais LSTM, analisam dados de colheitas anteriores, de satélites e informações meteorológicas. Com isso, estimam a produtividade com uma margem de erro entre 0,2 e 0,42 toneladas por hectare, com 30 a 45 dias de antecedência.
Nas principais regiões produtoras de milho, a combinação de sensores ópticos e IA tornou a aplicação de nitrogênio mais precisa. Sensores instalados em equipamentos agrícolas captam a cor das folhas em tempo real, um indicador da absorção do nutriente pela planta.
Os dados são processados por algoritmos que definem a dose ideal de fertilizante para cada área. A prática tem gerado um aumento de mais de 30% na eficiência do uso de nitrogênio, otimizando o aproveitamento do insumo em um cenário de preços elevados.
No processamento do algodão, a visão computacional baseada no modelo YOLOv5 alcança até 95% de precisão na identificação de contaminantes, como folhas e outras impurezas. Câmeras instaladas nas linhas de processamento capturam imagens em alta velocidade, que são analisadas para identificar e separar as impurezas automaticamente.
O sistema também permite classificar os lotes por variáveis como espessura e resistência da fibra. Essa capacidade de comprovar a qualidade do produto de forma objetiva possibilita que lotes superiores sejam direcionados a compradores dispostos a pagar mais, agregando valor à produção.
O uso dessas ferramentas de inteligência artificial já faz parte da rotina de fazendas de alta rentabilidade e demonstra o potencial para novos saltos de produtividade no agronegócio brasileiro.