A participação do etanol de milho na matriz de biocombustíveis do Brasil continua em trajetória de forte crescimento. Análises de mercado indicam que o produto deverá representar 30% de todo o etanol produzido no país na safra 2026/27, um avanço significativo para o setor.
Segundo projeções da plataforma de análise Czapp, o volume de etanol à base do cereal deve alcançar 10 bilhões de litros nesse ciclo. O número representa um salto de mais de 58% em relação à produção da safra 2024/25, estimada em 6,3 bilhões de litros, quando o cereal respondeu por cerca de 20% do mix nacional. Para a safra 2025/26, a expectativa intermediária é de uma produção de 8 bilhões de litros.
O avanço da produção é diretamente sustentado pela expansão da segunda safra de milho, a "safrinha", principalmente na região Centro-Oeste. A ampla disponibilidade do grão viabiliza a operação de usinas dedicadas, que se concentram em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, próximos da matéria-prima.
A construção de novas plantas e a ampliação de unidades existentes são fatores que impulsionam essa tendência. O modelo de negócio se mostra robusto também pela produção de coprodutos de alto valor agregado, como os grãos secos de destilaria (DDG/DDGS), utilizados como ração animal e com forte demanda no mercado.
Diferente das usinas de cana-de-açúcar, que operam de forma sazonal, as plantas de etanol de milho podem produzir durante todo o ano. Essa característica confere maior estabilidade à oferta de biocombustível no mercado nacional, complementando a produção originada da cana.
Na safra 2024/25, a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul está estimada em 610 milhões de toneladas, com uma produção de 27,5 bilhões de litros de etanol. Somando a produção de milho, o volume total de etanol no ciclo alcança 33,8 bilhões de litros, demonstrando a relevância de ambas as matérias-primas para o setor.