Com COP30 à vista, agricultura mostra seu papel na agenda do clima
Publicado em 10/11/2025 17h47

Com COP30 à vista, agricultura mostra seu papel na agenda do clima

Com a proximidade da COP30, a agricultura brasileira se posiciona como um setor estratégico para o Brasil alcançar a neutralidade climática até 2050, utilizando práticas que sequestram carbono.
Por: Redação

Com o início da COP30 em Belém (PA), o papel da agricultura brasileira na agenda climática global retorna ao centro das discussões. Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), o setor rural é uma peça estratégica no cumprimento das metas nacionais para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Enquanto outros setores, como o energético e o industrial, enfrentam desafios para neutralizar suas emissões no curto prazo, o agronegócio se destaca por seu potencial de capturar carbono em larga escala. A atividade alia a produção de alimentos, fibras e energia à conservação dos recursos naturais.

A nova meta climática brasileira, apresentada na COP29, estabelece uma redução das emissões líquidas entre 59% e 67% até 2035, em relação aos níveis de 2005. Segundo a analista do Departamento Técnico do Sistema Famasul, Lenise Castilho, a agricultura é o setor que mais oferece soluções efetivas para a mitigação.

Entre as práticas que fortalecem esse papel estão o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos. “O sistema de plantio direto, por exemplo, reduz a emissão de CO₂ e aumenta o estoque de carbono no solo. Já o uso de inoculantes biológicos diminui a liberação de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial 265 vezes maior que o do CO₂”, explica.

Outro destaque é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), tecnologia que permite melhor aproveitamento do solo. Pesquisas da Embrapa indicam que sistemas integrados podem alcançar um saldo positivo de até 51,3 toneladas de CO₂ equivalente por hectare em quatro anos. Mato Grosso do Sul lidera nacionalmente na adoção desses sistemas, com mais de 3 milhões de hectares.

“O setor rural é protagonista na transição para uma economia de baixo carbono, mantendo a produção de alimentos, fibras e energia dentro de um modelo sustentável”, reforça Lenise.

Na safra 2025/26, a previsão é de um cultivo de 49,07 milhões de hectares com soja no país, um aumento de 3,6%, ocorrendo principalmente sobre áreas de pastagens degradadas. Em Mato Grosso do Sul, a expectativa é de 4,8 milhões de hectares, com 99,9% da área sob plantio direto.

A Famasul, por meio do Senar/MS, atua na disseminação dessas tecnologias com capacitações e assistência técnica. A instituição também amplia o acesso a programas como o PSA Pantanal, que incentiva a preservação e o uso racional dos recursos, fortalecendo a inserção do estado na agenda climática nacional.