Mercosul: Brasil amplia área de soja e compensa forte recuo da Argentina
Publicado em 05/11/2025 11h08

Mercosul: Brasil amplia área de soja e compensa forte recuo da Argentina

A produção de soja no Mercosul deve crescer para 242,3 milhões de toneladas na safra 25/26, impulsionada pelo Brasil, apesar de uma leve retração na área do bloco.
Por: Redação

A safra de soja 2025/26 no Mercosul deve registrar um avanço na produção, mesmo com uma pequena retração na área total semeada. A projeção, divulgada em novembro pela consultoria Céleres, é que o bloco colha 242,3 milhões de toneladas (MMt) da oleaginosa, um aumento em relação aos 240,4 MMt da safra anterior.

O crescimento da produção será sustentado pelo Brasil. O país tende a ampliar sua área de cultivo em 1 milhão de hectares, compensando a redução de 1,3 milhão de hectares prevista para a Argentina. No balanço total, a área semeada no bloco deve recuar 0,4%, o que corresponde a 300 mil hectares.

O fator principal para o aumento do volume produzido é a expectativa de condições climáticas mais favoráveis na região em comparação com os ciclos anteriores. A produtividade média estimada para o Mercosul é de 3,4 toneladas por hectare, com potencial para alcançar 3,7 t/ha no cenário mais otimista.

Com a maior oferta e uma demanda que se mantém aquecida, as exportações do bloco devem apresentar um crescimento de aproximadamente 5 milhões de toneladas em relação à safra 2024/25. O Brasil se mantém como o protagonista absoluto nesse cenário, respondendo por 84% de todo o volume exportado pelo Mercosul.

Margens e risco cambial

A relação entre estoque e consumo deve permanecer estável, passando de 8,5% para 8,7%. O indicador sugere um mercado equilibrado entre oferta e demanda, sem uma pressão significativa sobre as cotações internacionais da oleaginosa.

Apesar do avanço produtivo, o mercado deve continuar operando com margens estreitas. A tendência de estabilidade nos preços internacionais não garante um alívio para a rentabilidade do produtor, especialmente no Brasil, onde a cotação interna está diretamente atrelada à taxa de câmbio.

O dólar se apresenta como a principal variável de atenção para a precificação da soja no mercado brasileiro. Uma eventual valorização da moeda local nos próximos meses pode apresentar desafios financeiros e operacionais relevantes para os produtores na hora de comercializar a safra.

Mesmo com a pressão nas margens, a projeção para o setor indica uma capacidade de geração de caixa suficiente para a manutenção dos investimentos e a continuidade da expansão operacional nas propriedades rurais.