
A modernização do Programa Precoce MS, conduzida pelo governo de Mato Grosso do Sul, está promovendo uma transformação na pecuária do estado. A iniciativa, focada em sustentabilidade e eficiência, já apresenta resultados como a redução do tempo dos animais no pasto e o aumento no abate de bovinos jovens, com dentes de leite.
Os avanços foram detalhados durante a 2ª edição do Fórum Precoce MS, realizado nesta segunda-feira (27), em Campo Grande. O evento destacou como a iniciativa tem valorizado a produção de qualidade e a adoção de boas práticas nas fazendas.
“Temos o privilégio de receber incentivos fiscais e somos muito gratos por isso. Consideramos uma honra, pois nosso Estado, junto com Santa Catarina, é o único a oferecer esse tipo de programa. Sentimo-nos valorizados por nossos representantes políticos, que reconhecem nosso trabalho através desse incentivo”, afirmou Rafael Gratão, presidente da Associação Novilho Precoce.
O programa já ultrapassou a marca de mil propriedades auditadas. Atualmente, dos 1,2 milhão de animais precoces abatidos anualmente, cerca de 48% possuem apenas dentes de leite. O resultado reflete a aplicação de critérios mais rigorosos, que equilibram a avaliação do animal e da propriedade.
Até outubro de 2025, o Governo do Estado bonificou os produtores participantes em R$ 125 milhões, superando os R$ 117 milhões pagos em todo o ano de 2024. “Este é o maior programa de bonificação da produção rural do Brasil, incentivando uma pecuária mais eficiente e sustentável”, completou Gratão.
Rogério Beretta, secretário-executivo da Semadesc, reforçou que a modernização do programa atende aos novos desafios do campo, como a expansão de áreas de eucalipto e soja, que reduzem o espaço para pastagens. “O programa orienta e apoia financeiramente esses avanços. É uma oportunidade para que os produtores conheçam os benefícios e se adaptem às suas exigências”, destacou.
Durante o fórum, foram premiados os destaques de 2025. Entre eles, Renan Brito, da Fazenda Valencia (Aquidauana), como pequeno produtor, e Rafael Lima e Silva, da Fazenda Ronda (Santa Rita do Pardo), como médio/grande produtor. O médico veterinário Gustavo Tonhão e o auditor Daniel Naguchi também foram reconhecidos.
“A constatação de que grande parte dos participantes já se encontra no nível avançado do programa demonstra maturidade e comprometimento do setor”, afirmou Beretta. Segundo ele, a produtividade em fazendas do programa saltou de 100 quilos por hectare ao ano para patamares entre 200 e 250 quilos.
Frederico Stella, diretor da Famasul, apontou a importância de elevar o padrão técnico. “Um programa de incentivo precisa, de tempos em tempos, subir a régua. E foi isso que o Governo fez: agregou ao processo a verdadeira sustentabilidade, que vai além do ambiental. Ela inclui o social e, principalmente, o econômico.”
Stella finaliza com um dado que resume a evolução do setor no estado. “Diminuímos mais de 5 milhões de hectares de pastagens nos últimos 15 anos e reduzimos o rebanho em cerca de 15%. Ainda assim, estamos entregando mais carne. Isso é competência e evolução do nosso negócio.”